Categoria: Papo descontraído

Chris Hemsworth espelha a tensão nas ruas dos EUA em filme – 12/02/2026 – Ilustrada


Não é de hoje que o crime faz sucesso no audiovisual. Seja por assaltos ambiciosos de sagas como “12 Homens e um Segredo“, seja pelas investigações assustadoras das séries de “true crime“, o gênero segue em constante atividade.

Para Bart Layton, que lança o longa “Caminhos do Crime”, a resposta para esse fascínio está no rompimento do que separa o certo do errado. “Vivemos conforme a cultura e o status esperados de nós, mas há perfis que não se encaixam nesse sistema”, diz o diretor, que fez dessa noção sua assinatura.

Ao reunir eventos verídicos de pessoas que foram presas, em viagens ao exterior, por motivos diversos, o cineasta ficou conhecido pela série “Banged Up Abroad“, de 2006. Na época, desenvolvia filmes modestos para a TV, alguns ligados à produção documental, e tensionava a moral humana via seres reais e fictícios.

Seis anos depois, antes de streamings abraçarem crimes verdadeiros, o cineasta fez sucesso ao estrear nos cinemas com o documentário “The Imposter”, que explora identidades maleáveis no mundo dos golpes —com falas do usurpador e de suas vítimas, o título segue um francês que fingiu ser um texano desaparecido.

Mais tarde, em 2018, ele flertou com a ficção ao retratar o roubo de uma biblioteca americana em “Uma Aventura Perigosa”. A montagem junta depoimentos dos ladrões de fato e cenas dramatizadas por astros como Barry Keoghan, que volta para a empreitada de agora, quase uma década depois.

Se, por um lado, Layton ampliou a escala de filmagem —em “Caminhos do Crime”, ele dirige perseguições mirabolantes, realizadas em locação e com carros de luxo, e reuniu um time maior de estrelas, como Chris Hemsworth e Mark Ruffalo—, por outro, preservou a moral duvidosa que determina os seus personagens.

“Há mais realismo e humanidade nessas figuras, ao contrário de arquétipos tradicionais”, diz Hemsworth, que interpreta o assaltante Mike Davis. “Não podemos reduzir o mundo a caixinhas, já que os códigos que nos movem são mais ambíguos do que podemos pensar.”

No filme, o protagonista surrupia malas de dinheiro sem envolver violência. Ele mantém a identidade sob sigilo, mas investigações policiais aumentam quando Lou, um detetive deprimido vivido por Ruffalo, vê um padrão entre os ataques —todos foram próximos à estrada 101, onde vidas se cruzam todos os dias.

Em tela, aliás, ora Layton registra acrobacias sobre o asfalto, ora filma coincidências que, na rodovia, antecipam os encontros do trio principal. É na junção desses dois tons que Sharon, corretora de seguros interpretada por Halle Berry, se junta ao conflito entre crime e justiça. Decepcionada com a falsa promessa de uma promoção, ela vê o chefe privilegiar uma funcionária jovem e passa a suspeitar que as práticas da empresa são até piores que as dos ladrões no noticiário.

“Espero que mulheres que estejam nessa mesma fase de vida, na meia-idade, se vejam refletidas pela personagem”, afirma a atriz de 59 anos. “Talvez uma figura como essa possa motivá-las a não aceitar as convenções sociais dos ambientes em que se encontram.”

Enquanto Sharon considera tirar proveito de magnatas egocêntricos, Lou tenta se manter fiel às leis em que acredita. À luz de episódios recentes, o intérprete do investigador parece tão cansado quanto o seu personagem.

“Hoje, cada vez mais pessoas são levadas a tomar decisões difíceis. Tudo está moralmente mais relativo”, diz Ruffalo. Nos últimos meses, o ator se manifestou contra o ICE, órgão americano que vem perseguindo imigrantes com violência nos Estados Unidos, e condenou as ações de Israel na Faixa de Gaza, numa Hollywood de vozes cada vez menos ativas. “Hoje, a própria honestidade virou um gesto revolucionário.”

Enquanto “Caminhos do Crime” espelha, mesmo que de forma indireta, a tensão das ruas americanas, a obra também reflete, nos bastidores, outro movimento —a proximidade cada vez maior entre os serviços de streaming e os estúdios de cinema. O projeto é o segundo de uma parceria entre a Amazon e a Sony Pictures, pela qual títulos pensados para o sob demanda chegam às salas de projeção.

Em janeiro, a ficção científica “Justiça Artificial“, em que um homem tem sua índole analisada por inteligência artificial, inaugurou o acordo. O filme fracassou nas bilheterias e foi criticado por supostamente defender a tecnologia generativa.

“Como vim do documentário, jamais teria feito este filme de uma forma que não parecesse a mais crível possível”, diz Layton ao comentar sequências de ação feitas com efeitos práticos. “Se eu não seria capaz de acreditar em cenas feitas artificialmente, porque o público acreditaria?”



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Samuca271

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