Drones viram atração nos Jogos Olímpicos de Inverno – 21/02/2026 – Esporte


O público ao lado da pista de deslizamento olímpica soltava exclamações de espanto a cada curva fechada. Admiravam a precisão de navegação e o pouso suave. Gritavam: “Você é o número 1!”.

Estavam torcendo para um piloto de drone.

“Quase me sinto como se estivesse junto com os atletas nas pistas”, disse Ralph Hogenbirk, que opera um dos muitos drones que se tornaram a trilha sonora de zunidos —para alguns, perturbadora— dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.

As vespas robóticas perseguem os atletas de luge, skeleton e bobsled que descem em alta velocidade pela pista de gelo em Cortina d’Ampezzo. Estão em perseguição aos esquiadores alpinos nas montanhas de Bormio e aos patinadores de velocidade que quebram recordes deslizando pelos rinques de Milão, transportando os telespectadores em casa para as encostas e o gelo.

Todo esse acompanhamento impecável rendeu aos drones seus próprios fãs.

Em uma noite na semana passada em Cortina, uma pequena multidão se reuniu do lado de fora de uma tenda branca, isolada entre um trator vermelho e montes de neve suja, a poucos metros do portão de largada da prova de skeleton. Lá dentro, Hogenbirk estava sentado em um canto, com um visor sobre os olhos, pilotando seu drone de quase 250 gramas.

O aparelho pairava atrás dos atletas de skeleton enquanto eles se concentravam, rastejava atrás deles quando começavam sua corrida frenética para iniciar a prova e então ganhava velocidade, zunindo atrás dos competidores enquanto eles disparavam pelas primeiras curvas da pista.

Uma tela na tenda mostrava a trajetória de voo do drone, incluindo o momento em que ele deixava a pista após as curvas iniciais. Virava à esquerda e fazia um “loop” sobre canteiros de obras, estacionamentos, áreas geladas isoladas e pousava nas mãos em concha, vermelhas de frio, do técnico de Hogenbirk.

“Muito legal”, disse Mary-Anne Grotheer, 33, esposa de um competidor de skeleton que deixou as provas para assistir aos drones indo e vindo.

Italianos gritavam “Bravissimo!” e perguntavam sobre as especificações do drone. Alemães apreciavam sua engenharia. Um grupo de fãs britânicos não sabia o que pensar.

“Que diabos?”, disse Oliver Dickie, 26, advogado de Londres, quando o drone que retornava, com sua luz verde piscando na noite, passou zunindo a caminho da tenda. Ele disse que imaginava que isso melhorava a experiência para os espectadores assistindo à disputa em casa, mas se perguntava “quão assustador seria” ser perseguido por um.

Os atletas disseram que não é um problema.

“Na verdade, eu nem sabia que eles estavam lá”, afirmou a esquiadora Lara Markthaler, 19, da África do Sul, que competiu no slalom gigante feminino. Ela disse que teve mais dificuldade com a câmera de largada. “Fica a uns dez centímetros do nosso rosto. Isso, sim, a gente percebe.”

Outros mal podiam esperar para esquiar com a câmera aérea os perseguindo.

“Vi que os outros competidores tinham drones e pensei: ‘Uau, isso é muito legal, e eu quero ter isso na minha descida’”, disse Elin Van Pelt, 20, da Islândia.

Drones são usados nos Jogos Olímpicos desde a edição de 2014, em Sochi, na Rússia, mas se tornaram cada vez mais comuns à medida que a tecnologia melhorou e o público esportivo se acostumou com imagens de perto da ação.

Hogenbirk, fundador da empresa Dutch Drone Gods, que tem experiência em corridas profissionais de drones, disse que os pilotos se certificaram de que os atletas estivessem confortáveis com eles antes do início dos Jogos.

“Talvez eles ouçam um pouco, mas não distrai porque estão totalmente focados em para onde estão indo”, disse Hogenbirk. Segundo ele, sua equipe filmou cada atleta antes dos Jogos. “Todos tiveram a chance de dizer: ‘Não, eu não quero isso’. Nenhum deles disse.”



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