O que será do jornalismo em 2026? – 12/02/2026 – Educação


Não há novidade em afirmar que o jornalismo vive tempos desafiadores. Mas é importante que sua sobrevivência seja colocada em discussão cada vez que nos deparamos com novos dados sobre os hábitos de consumo de notícias da sociedade.

Divulgado no fim do ano passado, um relatório do grupo de pesquisa Pew Research Center nos Estados Unidos evidenciou que jovens adultos têm menos interesse em acompanhar o noticiário do que gerações anteriores. No geral, a atenção às notícias vem declinando na última década em todas as faixas etárias e, entre as pessoas com 18 a 29 anos, a busca é consistentemente mais baixa.

Em meados de 2025, 36% dos adultos daquele país afirmavam acompanhar as notícias sempre ou na maior parte do tempo, uma queda em relação aos 51% computados em 2016, quando a pergunta foi feita pela primeira vez. Olhando exclusivamente para a população de 18 a 29 anos de idade, o percentual caiu de 27% para 15% no mesmo intervalo de tempo.

Outras sondagens já indicavam profundas mudanças na relação entre os mais jovens e o jornalismo. Mesmo quando se trata de buscar informações factuais, as novas gerações voltam-se cada vez menos para veículos de comunicação estabelecidos e mais para influenciadores e personalidades em redes sociais. Essa diversificação de fontes não significa necessariamente que estejam menos informados, mas certamente demanda cuidados.

“Embora os jovens adultos sejam menos propensos a relatar que acompanham as notícias, elas ainda podem estar chegando até esse público de outras maneiras”, destaca o relatório do Pew. “Enquanto o consumo intencional de notícias pelos jovens adultos é bem menor, eles têm mais chance de se deparar com notícias ‘acidentalmente’, ou seja, sem procurá-las. Quando se trata de noticiário político, 70% dos jovens adultos afirmam que ficam sabendo do que está acontecendo por acaso, ante 30% que procuram deliberadamente as informações.”

O encontro casual com as notícias se dá, em geral, nas redes sociais —plataformas em que estão presentes não apenas os veículos de imprensa profissionais, mas também inúmeras vozes que hoje não precisam mais da imprensa para se comunicar com uma audiência, incluindo políticos, cientistas, artistas e tantas outras figuras públicas.

É preciso considerar que a diversidade de canais ampliou as pautas e os pontos de vista que participam do debate público, o que é positivo, mas também adicionou incertezas sobre a intenção e a qualidade das fontes. Some-se a esse cenário já complexo a popularização de ferramentas de inteligência artificial que selecionam, organizam, distribuem e mesmo geram uma avalanche de informações (factuais ou não).

Enquanto digere o impacto das novas tecnologias digitais, a imprensa profissional procura maneiras de se reaproximar do público e estratégias para valorizar seu trabalho. Um amplo levantamento do Reuters Institute e da Universidade de Oxford divulgado em janeiro mostra que apenas 38% das 280 lideranças jornalísticas entrevistadas em 51 países estão confiantes quanto às perspectivas para o jornalismo neste ano. Segundo esses profissionais, será importante para a imprensa concentrar-se em investigações inéditas e reportagens in loco, oferecer mais contexto e análises e histórias pessoais.

Mais do que uma questão de negócios que interessa a um setor específico, o futuro do jornalismo deveria ser assunto para toda a sociedade, que precisa conversar mais abertamente sobre a maneira como se relaciona com as notícias, além de refletir sobre a confiabilidade e o propósito das informações em que ancora suas decisões.



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