Morte de jovem de ultradireita na França gera protestos – 15/02/2026 – Mundo


A ultraesquerda na França estava por trás do linchamento de um jovem francês alinhado com a ultradireita, disse neste domingo (15) o ministro da Justiça, Gerard Darmanin, após o assassinato inflamar a tensão política no país às vésperas de eleições.

Darmanin também acusou políticos da esquerda radical, incluindo do partido França Insubmissa (LFI), a maior facção esquerdista no Parlamento, de alimentar a violência com seu discurso.

A vítima, Quentin Deranque, 23, foi hospitalizada na quinta-feira (12) após ser atacada na cidade de Lyon, no sudeste do país. O gabinete do promotor de Lyon informou à agência de notícias AFP no sábado que Deranque havia morrido em decorrência dos ferimentos.

Apoiadores disseram que ele estava fazendo a segurança em um protesto contra a presença de Rima Hassan, membro da LFI no Parlamento Europeu, quando foi agredido por um grupo de ativistas rivais.

Os investigadores buscam identificar os autores do crime, disse o gabinete do promotor neste domingo.

“Foi claramente a ultraesquerda que o matou”, disse Darmanin à televisão RTL. “Há de fato discursos, particularmente da França Insubmissa e da ultraesquerda, que infelizmente levam a uma violência desenfreada nas redes sociais e depois no mundo físico”, afirmou.

“Palavras podem matar”, acrescentou Darmanin, acusando Hassan e o líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, de “não terem uma palavra a dizer para a família do jovem”.

‘Compaixão, respeito’

Mais tarde, neste domingo, Mélenchon expressou seu “choque” com o assassinato. “Também enviamos nossa empatia e compaixão à sua família e entes queridos”, disse ele.

Candidato presidencial por três vezes e com ampla expectativa de concorrer novamente nas eleições do próximo ano, Mélenchon acrescentou que seu movimento se opõe à violência, rejeitando a culpa atribuída a ele como algo “sem qualquer conexão com a realidade”.

Um suposto vídeo do ataque, divulgado pela televisão TF1, mostra cerca de dez pessoas agredindo outras três caídas no chão, duas das quais conseguem escapar.

“Ouvi gritos, pessoas se batendo com barras de ferro e outras coisas. Quando cheguei ao local, vi indivíduos cobertos de sangue”, disse à AFP uma testemunha do ataque, que deu apenas o primeiro nome, Adem.

Segundo o coletivo Nemesis, que é próximo à ultradireita, Quentin estava fazendo a segurança de seus manifestantes e foi agredido por ativistas “antifascistas”.

O advogado da família disse em comunicado que Quentin parece ter sido emboscado por “indivíduos organizados e treinados, em número muito superior e armados, alguns com os rostos cobertos”.

Tensão pré-eleitoral

O incidente aumentou ainda mais a tensão entre a ultradireita e a ultraesquerda às vésperas das eleições municipais em todo o país em março e da corrida presidencial de 2027.

Marine Le Pen, candidata à presidência por três vezes e que ainda espera concorrer em 2027 apesar de uma condenação por corrupção, disse no X que os “bárbaros responsáveis por esse linchamento” deveriam ser levados à justiça.

Manifestações convocadas pela ultradireita em memória de Quentin ocorreram na cidade de Montpellier, no sul do país, e em Paris, onde manifestantes estenderam uma faixa com os dizeres “antifas assassinos, justiça para Quentin”.

A ultradireita apontou o dedo para a Jeune Garde (Jovem Guarda), um braço juvenil antifascista da LFI.

Mas seu fundador, Raphael Arnault, deputado da LFI, expressou seu “horror” com o espancamento, e o grupo negou envolvimento, afirmando que havia “suspendido todas as atividades”.

O deputado da LFI Eric Coquerel, em entrevista à Franceinfo, condenou “toda violência política”, mas disse que os ativistas responsáveis pela segurança de Hassan “não estavam de forma alguma envolvidos no que aconteceu”.

Ele apontou, em vez disso, para um “contexto” específico na cidade do sudeste marcado pela violência de “grupos de ultradireita”.

O presidente centrista Emmanuel Macron pediu calma e moderação.

Na Igreja de São Jorge, em Lyon, que o jovem frequentava e onde era voluntário em obras de caridade, o padre Laurent Spriet pediu no domingo orações “pela paz da alma de Quentin”.

“Cada coisa a seu tempo. Agora é hora de compaixão, de respeito, de oração, de deixar a polícia e o sistema judiciário fazerem seu trabalho”, disse ele.



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